Atualmente, não há um banco de dados confiável com essas informações. O Paraná é o único estado brasileiro que possui uma unidade da Polícia Civil especializada na busca de crianças e adolescentes desaparecidos, o Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas (Sicride). O Sicride atua em casos de crianças até 12 anos – os demais são encaminhados para a Delegacia de Vigilância e Capturas. Em outros estados, os casos são investigados por delegacias comuns. Em São Paulo, por exemplo, a Delegacia de Homicídios investiga os desaparecimentos.
Dicas para os Pais
Veja dicas para evitar sumiço de crianças. Há mais em www.sicride.pr.gov.br:
Acompanhamento
> Nos passeios manter-se atento e não descuidar das crianças;
> Procurar conversar todos os dias com os filhos, observar a roupa que vestem e se apresentam comportamento diferente;
> Procurar conhecer todos os amigos do seu filho;
> Acompanhá-los à escola, na ida e na volta, e avisar o responsável da escola quem irá retirar a criança;
> Colocar na criança bilhetes ou cartões de identificação com nome da criança e dos pais, endereço e telefone
> Não deixar as crianças com pessoas desconhecidas;
> Fazer o mais cedo o possível a carteira de identidade;
Orientação
> Ensinar a criança sobre como ligar a cobrar para pelo menos três números de parentes;
> Ensiná-las a procurar um policial quando estiverem em dificuldade;
Se preciso
> Perdendo a criança de vista, pedir imediatamente ajuda a populares e avisar a polícia.
No site da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, há registros de 46 crianças e adolescentes desaparecidos no Paraná. Em todo o país seriam 629 desaparecidos (304 na Região Sudeste, 71 na Região Sul, 66 na Região Centro-Oeste, 62 na Região Norte e 126 no Nordeste), mas a própria secretaria admite que os dados não são oficiais, devido à ausência de órgãos que controlem os desaparecimentos nos estados. Segundo a secretaria, de 10% a 15% dos casos em todo o país não são solucionados.
A delegada titular do Sicride, Ana Cláudia Machado, tem um número diferente. Segundo ela, 24 casos de crianças ou adolescentes desaparecidos ainda não foram solucionados no Paraná – 12 antes da criação da delegacia, em 1996, e 12 depois. “Criar um cadastro nacional é uma boa medida. Vai possibilitar que se tenha um número para auxiliar as políticas públicas e para que possamos entender melhor o fenômeno”, afirma. Segundo ela, a média é de 80 a 100 desaparecimentos por ano no estado. “O índice de solução dos casos é alto. Desde 1996 tivemos cerca de 1,5 mil registros e em apenas 12 casos a criança não foi localizada. O objetivo da delegacia é a localização da criança, mas os casos em que elas infelizmente são localizadas sem vida variam de 3% a 5%.”
Recomendação
Ana Cláudia Machado faz uma recomendação: a polícia deve ser comunicada assim que os pais ou responsáveis percebam que a criança desapareceu. “Não existe prazo de 24 horas para que sejam iniciadas as buscas. Se a criança tinha um determinado itinerário e não está nele, a polícia deve ser comunicada imediatamente. Quanto antes recebemos a informação, mais fácil. E, nos casos em que ela é encontrada morta, a morte ocorre nas primeiras horas (do desaparecimento).” A recomendação é para a pessoa entrar em contato com o Sicride, no telefone (41) 3224-6822. A delegacia aciona outras unidades da Polícia Civil, da Polícia Militar e da Polícia Rodoviária Federal.
A delegada acredita que a criação de unidades especializadas pode ajudar o trabalho em todo o país. “Podemos dar um atendimento mais rápido e eficaz. Também possibilita a capacitação dos policiais nessa área, centralizando os casos e facilitando as investigações dos caos em série.” O Sicride também trabalha na prevenção, com a realização de palestras e a edição de publicações destinadas ao público infantil e adolescente.
Para Arlete Caramês, mãe de Guilherme Caramês Tiburtius, desaparecido em 17 de junho de 1991, quanto tinha 8 anos, um cadastro nacional é necessário, já que os dados são imprecisos. “Ninguém sabe ao certo quantas crianças desaparecidas há no país”, afirma Arlete, que há 18 anos trabalha com prevenção e na divulgação de casos de crianças e adolescentes desaparecidos, no Movimento Nacional em Defesa da Criança Desaparecida do Paraná (CriDesPar). “É fundamental que haja delegacias especializadas, porque é complicado trabalhar esses casos em uma Delegacia de Homicídios, por exemplo.” O número que o CriDesPar possui de desaparecidos no Paraná é diferente dos dados do Sicride e da Secretaria Nacional de Direitos Humanos: 28.
Serviço:
As fotos que ilustram esta página são de crianças desaparecidas no Paraná. Mais informações sobre elas em www.sicride.pr.gov.br.
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